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Foto: Igor Sales/Cruzeiro E.C

Wagner Pires tentará recorrer da decisão do Conselho Deliberativo do Cruzeiro de expulsá-lo. Entenda o caso

Na noite desta segunda-feira na sede do Barro Preto, o Conselho Deliberativo do Cruzeiro votou pela expulsão do ex presidente Wagner Pires de Sá do quadro de conselheiro do clube.

Em uma votação soberana pela expulsão. o ex presidente não faz mais parte do conselho da raposa. Mas, Wagner Pires ainda terá o dieito recorrer da decisão na justiça comum.

O Superintendente jurídico do Cruzeiro Flávio Boson afirmou achar pouco provável uma reversão a favor de Wagner Pires no processo que terminou com sua expulsão.

Qualquer cidadão que se sente prejudicado dentro dos seus direitos, ele tem direito de bater às portas do Poder Judiciário, fazer sua argumentação. Vai depender de o juiz acolher ou não.[…] A meu sentir, pelo relatório apresentado, o processo é rígido, correto e cumpriu todas as formalidades. O Wagner teve seu direito de defesa assegurado, e a decisão do conselho, a meu juízo, foi correta e soberana. Esperamos, portanto, que não haja reforma pelo Poder Judiciário.

Flávio Boson

O Presidente do Conselho Delibrativo Nagib Simões também falou em uma entrevista que acha pouco provável a reversão da decisão. Segundo ele, Wagner Pires também pode ser excluído do quadro de associado do Cruzeiro.

Ele pode até recorrer, mas acho muito difícil ele ter êxito. Agora, vai para a comissão de ética de associados, que vai analisar a situação dele como sócio, se ele vai continuar como sócio ou não.

Nagib Simões

De acordo com o Estatuto do Cruzeiro em vigência, a exclusão do quadro de associados poderá ser sugerida pela comissão disciplina ao presidente do clube (hoje, Sérgio Santos Rodrigues), após decisão fundamentada do conselho diretor.

Entenda o caso Wagner Pires x Cruzeiro:

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Na representação oficial contra o ex presidente do Cruzeiro, foram apontados 18 itens. Mas a comissão de ética e disciplina considerou metade delas, qualificando-as como “graves” alguns atos de Wagner. São eles:

  1. Favorecer o filho ao empregá-lo e remunerá-lo no Cruzeiro
  2. Outorgar poderes “amplos e ilimitados” a Itair Machado, sem exigir prestação de contas, “cujos excessos praticados contribuíram para a insolvência do clube”
  3. Utilizar cartão corporativo para compras pessoais
  4. Incluir o clube como devedor solidário da dívida de R$ 10 milhões de Fred com o Atlético-MG
  5. Omitir ganhos excessivos na intermediação da venda de Mayke ao Palmeiras
  6. Aumentar em “valores vultuosos” as despesas do clube
  7. Remunerar com altos valores – “fora do habitual de mercado” – funcionários e dirigentes, além de conselheiros (que não poderiam ser remunerados)
  8. Autorizar o pagamento de mais de R$ 500 mil a Itair Machado por “fator gerador ocorrido antes da posse”
  9. Ceder a marca Cruzeiro ao Instituto Cinco Estrelas pelo valor de R$ 20 mil em 24 parcelas

Entre as alegações não consideradas, está a de “desrespeito a imagem do Cruzeiro” por uma declaração no fim de 2019 em que Wagner afirma que não foi constatada intervenção de Wagner Pires na autonomia do conselho fiscal.

Entre as anexadas, uma chamou atenção. O extrato de remuneração de Humberto de Sá, filho de Wagner. Humberto inclusive acionou o Cuzeiro na justiça do trabalho cobrando salários atrasados e verbas rescisórias.

Também estão incluídos os extratos dos cartões corporativos do Cruzeiro, o contrato de mútuo com o empresário Cristiano Richard, além de contratos e documentos assinados por Itair Machado quando gestor do Cruzeiro.

Defesa do ex presidente do Cruzeiro

O ex presidente do Cruzeiro apresentou sua defesa em julho de 2021. De maneira resumida, estes foram os argumentos dentro da investigação no Cruzeiro:

  1. Sobre o filho de Wagner Pires: a defesa informou que Humberto Pires de Sá possuía “capacitação compatível” para as funções pelas quais foi contratado, que o filho “revitalizou a Toca I, que se encontrava deteriorada”, e que Humberto foi remunerado de acordo com os valores praticados no mercado.
  2. Dos poderes de Itair Machado: defesa argumentou que as condições estavam dentro do regulamento geral do Cruzeiro
  3. Cartão corporativo: Wagner Pires argumenta que não existem provas e notas fiscais do “alegado consumo pessoal”. Ainda disse que as contas da gestão foram aprovadas pelo conselho deliberativo.
  4. Contratação de Fred: “se deu dentro dos valores de mercado”. A defesa argumentou que a contratação ocorreu em meio a uma grande oportunidade. Caracterizou a inclusão do fato como “oportunista”.
  5. Pagamento de intermediação na venda de Mayke: argumentou que era preciso contratar uma “empresa intermediária para viabilização do negócio”.
  6. Aumento de despesas: a defesa aponta que Wagner “sofreu consequências de décadas de administrações temerárias. Alegou que as contas da gestão foram “chanceladas” pelo conselho deliberativo.
  7. Altos valores pagos a funcionários e dirigentes: a defesa alega que as quantias eram “compatíveis” aos praticados pelo mercado
  8. Valores pagos a Itair Machado por serviços de 2017: a defesa argumenta que “os poderes conferidos” a Itair foram dentro do limite do regulamento do Cruzeiro.
  9. Venda da marca Cruzeiro ao Instituto Cinco Estrelas: Wagner afirma que não houve irregularidade e que o “direito de uso da marca foi regularmente adquirido e devidamente pago” e que não houve concessão de uso vitalícia.